fevereiro 02, 2010

Conto Rebelião 100: Trilha Ancestral


Mesmo à noite, os majestosos afrescos da Igreja de São Nicolau brilhavam, refletindo a luz mortiça que iluminava o interior. Uma pequena e quase despercebida janela lateral deixava passar um fino raio de luar que incidia diretamente sobre a silhueta encapuzada do homem esquálido que estava parado junto ao altar. Dois sacristãos passavam apressados, carregando vasilhames com apetrechos litúrgicos, enquanto uma faxineira de origem albanesa varria os corredores. O homem esguio apoiava-se em uma robusta bengala prateada, e seus olhos sempre fechados sugeriam que se tratava de um cego. Ele bateu duas vezes com o objeto no chão, deixando um leve estampido metálico ecoando pelos corredores da nave central. Sentou-se no banco mais próximo, e sem precisar se virar, disse com uma voz fina e estridente:





ECOS DE PRAGAV: TRILHA ANCESTRAL foi escrito por Simões Lopes, inspirado no Netbook A CIDADE DE PRAGA, de Marcel Herrero e Flauberth Carvalho.

dezembro 04, 2009

Conto Rebelião 99: Alpha Scorpii


Manfred von Burgund, o famoso magnata alemão, proprietário da Financeira Alpha Scorpii, está desaparecido há cerca de um mês, e nenhuma das polícias européias envolvidas no caso tem a menor pista sobre seu paradeiro. Wanda Kerlik, a top model polonesa que fora a última de extensa lista de namoradas do empresário, estava numa profunda crise de depressão, e dizia que achava que seu amado estava morto. Karl Wolfsgruber, o vice-presidente da Alpha Scorpii, quando perguntado sobre o futuro da financeira, garantiu que os negócios continuavam com o mesmo sucesso de sempre, e que não descansaria enquanto não descobrisse o que acontecera com o patrão. Ao contrário de Wanda, fazia questão de negar qualquer suspeita de assassinato.




ECOS DE PRAGA IV: ALPHA SCORPII foi escrito por Simões Lopes, inspirado no Netbook A CIDADE DE PRAGA, de Marcel Herrero e Flauberth Carvalho.

novembro 16, 2009

Conto Rebelião 98: Cinza e Azul


Quando entrou na LAN House Khaos 99, Václava chegou a pensar que o sistema de calefação estava desligado, tamanho o frio que ali fazia. A luz mortiça envolvia tudo em uma penumbra ligeiramente azulada. Num salão que parecia vazio, dois adolescentes obesos com aspecto nerd pareciam mergulhados em um transe hipnótico. Se não fosse o nervoso piscar de olhos, ela podia jurar que os garotos estavam congelados. A silhueta esguia de Vladmir Palovek, o único funcionário da loja, podia ser vista por detrás do grosso vidro fumê que escondia o mezzanino. A altura, a magreza e a postura exageradamente curvada fizeram Václava lembrar-se de um louva-a-deus. Contendo o riso, dirigiu seus olhos para o lado oposto da sala, onde identificou a figura inconfundível de Kamila Fric, a atual proprietária da Khaos 99. Enormes alargadores perfuravam seus lóbulos, um azul e outro verde, combinando com a cor de suas longas unhas e de das mechas de cabelos tingidas e empasteladas de gel brilhoso. Um decote generoso expunha o volume generoso dos seios tatuados com linhas negras imitando arame farpado. Os ombros nus mostravam tatuagens da “Noiva de Frankenstein” em poses sensuais, enquanto as costas da mão esquerda ostentavam um enorme ENDZEIT — fim dos tempos, em alemão — gravado em caligrafia gótica. Na outra mão, havia outra palavra tatuada, mas Václava não se interessou em ler.


ECOS DE PRAGA III: CINZA E AZUL foi escrito por Simões Lopes, inspirado no Netbook A CIDADE DE PRAGA, de Marcel Herrero e Flauberth Carvalho.

novembro 11, 2009

Conto Rebelião 97: A Gema do Capricórnio


Poucos são os frequentadores do Mosteiro de Strahov que conhecem aquele túnel estreito e comprido que se parece avançar rumo às profundezas da Terra. Dois vultos caminhavam devagar, os pés calcando no piso de rocha escura e coberta de limo. Um monge magro, de cabelos ralos e barba alourada, conduzia a outra pessoa através da densa escuridão, carregando um bastão luminoso que emana uma luz fria verde-azulada. O vulto esguio que o acompanhava, coberto por um manto branco com capuz, não trazia boas notícias para os moradores daquele mosteiro.


ECOS DE PRAGA II: A GEMA DO CAPRICÓRNIO foi escrito por Simões Lopes, inspirado no Netbook A CIDADE DE PRAGA, de Marcel Herrero e Flauberth Carvalho.

novembro 03, 2009

Conto Rebelião 96: Vitória ou Morte


Sua presença no restaurante provocava um indisfarçável desconforto nos clientes. A enorme figura, de quase dois metros de altura, com os ombros larguíssimos cobertos por um casaco negro, e um chapéu da mesma cor realçava ainda mais seu porte imenso, passou silenciosamente por entre mesas e cadeiras, alheio aos olhares fugazes e comentários abafados.

Um homem jovem, de cabelos castanhos, comia avidamente um prato de carne de porco com molho de aspargos e purê de batatas. Os talheres cortavam grandes nacos de pernil que eram enfiados goela abaixo com uma pressa inexplicável. Ele percebeu que o rabino vinha em sua direção, e respondeu com uma saudação curta:

— Salve, rabino.


ECOS DE PRAGA I: VITÓRIA OU MORTE foi escrito por Simões Lopes, inspirado no Netbook A CIDADE DE PRAGA, de Marcel Herrero e Flauberth Carvalho.

setembro 25, 2009

Conto Rebelião 95: Dando Milho aos Pombos

Os pombos aglomeravam-se ao redor do sujeito vestido como um frade franciscano, rodopiando como se presos a uma hélice invisível. Os grãos de milho jogados no chão de cimento despareciam muitas vezes antes de tocar no solo. O som dos arrulhos era tão alto que sufocava até o barulho do alto-falante da pracinha que anunciava vendas na loja de móveis da cidadezinha.


AMIGOS DE LONGA DATA foi escrito por Simões Lopes


setembro 22, 2009

Conto Rebelião 94: Amigos de Longa Data


A Catedral de Nossa Senhora Madre de Deus estava vazia, como de costume naquela hora do dia. Umas poucas pessoas rezavam em silêncio, e um trio de senhoras acendia velas do lado de fora. Um homem impecavelmente barbeado e de têmporas raspadas, com uma enorme cicatriz na metade esquerda do rosto escuro, olhava fixamente para a imagem do Cristo crucificado no altar, enquanto esperava por alguém. Já fazia mais de uma hora que tinha chegado, e seu amigo de longa data ainda não aparecera.

— Chico!!! — gritou uma voz possante, vinda de fora da Igreja.


AMIGOS DE LONGA DATA foi escrito por Simões Lopes

setembro 17, 2009

Conto Rebelião 93: Venerável Trilha da Solidão


Satyabhama é muito mais velha do que aparenta. Quando ela nasceu, morena e coberta de cabelos negros bem espetados, recebeu seu nome em homenagem à princesa indiana, filha do Rei-Urso e uma das esposas de Krishna. Órfã de pais, foi criada numa comunidade espiritualista da Califórnia liderada por um grande mestre indiano, que a considerava como sua melhor aluna.
Satyabhama descobriu antes da maioridade que não era uma pessoa comum, mas a filha de um anjo em forma feminina com um amante humano.


VENERÁVEL TRILHA DA SOLIDÃO foi escrito por Simões Lopes

setembro 16, 2009

Rebelião: Guia do Despertar

Já está disponível no pioneiríssimo site Iniciativa RAQ o GUIA DO DESPERTAR. Nele vocês acharão um guia rápido para "passear" pelos confins do universo de Rebelião: Ascensão e Queda.

setembro 08, 2009

Antologia "Beco do Crime"!

Na Bienal do Livro, dia 19/09 próximo, às 17hs, será lançado o livro "Beco do Crime" - uma coletânea de contos policiais da mais alta qualidade, feitos por autores nacionais e inéditos.
Selecionados pelo antigo site "Beco do Crime" (agora "Esquina do Escritor"), o livro reúne aqueles contos de arrepiar a espinha onde o principal personagem sempre é o crime.
Por que anunciamos aqui? Primeiro porque a coletânea é organizada por André Esteves - para quem não sabe ele foi
o primeiro fã declarado de RAQ, o primeiro a nos mostrar uma edição encadernada da versão online e o primeiro a mestrar o jogo sem ser um dos criadores! Só isso já serve para incentivar o cara, não acham?
Mas existe outra coisa. Um dos contos pertence a este pobre escriba (que passou noites acampado na porta da casa do André, cantando tango e só parando quando ele prometeu colocar seu conto no livro). Estamos estendendo nossas garr... digo, tentácu... digo, influência pelo mundo!
Tanto André como Danilo (que estranho falar de mim na terceira pessoa) estarão presentes e dando autógrafos na noite indicada acima (só para confirmar: 19/09, às 17hs - estande "Beco do Crime").

Agora fiquem com a capa e o release do livro.


"Ele desperta. Com o rápido vibrar de uma faca, com o pragmatismo de um revólver ou mesmo com o lento e prazeroso repuxar de uma corda, ele dá vazão aos seus instintos e busca concretizar seus impuros - ou puros, algumas vezes - desígnios. Sabe que deve ser mais inteligente que o mais inteligente investigador, para manter encoberto seu ato.
O sangue o desperta. Em mundos sombrios que põe a prova a razão humana, ele segue a trilha do mais perigoso e cruel predador existente. Muitas vezes, a linha divisória entre caçador e presa torna-se tênue. Ele tem ciência, entretanto, que deve ser mais inteligente que o mais inteligente dos assassinos para fazê-los pagar por seus crimes e evitar novas mortes – talvez, a sua própria.
Em um palco, eles lutam. Em tramas repletas de reviravoltas, se confundem. Às vezes, se unem. Podem, até, se perdoar. Mas, não importa em qual situação, se completam.
Você está desafiado a acompanhar estes duelos, a desvendar estas tramas, a perder-se nos rios sinuosos e ilusórios da literatura policial, onde nada é o que parece – ou não.
Puxe uma cadeira, prepare-se para o inusitado e acomode-se. O show já vai começar.
No Beco do Crime."

setembro 02, 2009

Conto Rebelião 92: Invocação (Parte 1 de 2)

Já há muitos dias a tempestade se tornava cada vez mais causticante; o ar estava pesado, saturado de fluidos pestilenciais que dificultava a respiração. O zimbório celeste era de um negrume horripilante. A noite castigava, raios voejavam em todas as direções se chocando com os edifícios. Qual não foi o espanto quando o relógio já marcava próximo do meio-dia e a luz do sol não dava mostras de sua presença beatífica.

LEIA O CONTO NA ÍNTEGRA

INVOCAÇÃO foi escrito por Marcel Herrero

agosto 30, 2009

Conto Rebelião 91: Negro Gato


O temporal é intenso e já cai por mais quatro horas. Enrique Royo caminha com dificuldade pelo chão lamacento e pegajoso do pântano. Nuvens de mosquitos enxameiam sob a proteção de um enorme tronco disforme, cuja proteção garante uma área de terra seca suficiente para abrigar um pequeno exército. Protegido da chuva inclemente, o cadáver de um soldo fita o vazio com suas órbitas vazadas. Um enorme gato de pêlos inteiramente negros, com exceção de algumas marcas vermelhas específicas espalhadas pelo corpo. Para um bom conhecedor de símbolos místicos, cada mancha cor de sangue seria identificada como uma crux ansata invertida.
Cazador, o desencarnado está próximo?


Negro Gato foi escrito por Simões Lopes

Conto Rebelião 90: Rebeka


O suor escorria pela testa. Já havia algum tempo que Rebeka vinha resistindo contra o cansaço. Lutar com aqueles dois homens não estava sendo fácil. Fora pega em uma armadilha, uma ação ardilosa. Foi um vacilo, e ela sabia muito bem disso, mas era tarde. Agora tinha que resolver tudo sozinha.
Rebeka tenta de todas as maneiras quebrar a defesa dos dois, mas eles são ágeis, exímios lutadores. Só tinha uma maneira de vencer, ir com tudo que tinha.


REBEKA foi escrito por Flauberth Carvalho
Iniciativa RAQ

agosto 21, 2009

Conto Rebelião 89: A Quarta Tentação


Um homem está sentado no chão pedrento. Seus olhos vidrados fitam o céu estrelado, como se buscassem enxergar através dele. A pele tostada pelo sol escaldante do deserto agora arrepía-se com o vento frio que sopra de noite. A fome e a sede o afligem, mas ele segue imóvel como uma estátua. As barbas longas e crespas, negras como carvão, estão salpicadas pela geada. Há quarenta dias ele peleja contras as mais duras provações, buscando no martírio uma forma de transcender as limitações daquele corpo frágil de carne e sangue.




A QUARTA TENTAÇÃO foi escrito por Simões Lopes



agosto 11, 2009

Iniciativa Maytréia

Certo, certo, certo. Eu simplesmente não tenho como manter uma regularidade. Então vou postando aqui conforme der (graças a Divindade os outros publicam alguma coisa). Mea culpa, mea culpa, mea maxima culpa!
Mas quero anunciar um movimento que fãs do jogo Maytréia começaram na internet e que eu gostei muito (é claro, né... ô humildade...). Este movimento chama-se "Iniciativa Maytréia" (seguindo a onda de iniciativas ligadas aos RPG´s que existem) e já se encontra nos seguintes sites Lar Sobrenatural - assinado pelo "misterioso" Ogam. ;)
Liber Imago - de Leonardo T. Também autor e pesquisador.
E finalmente Iniciativa Maytréia - o próprio blog da Iniciativa criado por Eduardo.
Vc pode mandar material como desenhos, sugestão para aventuras, contos e outras coisas mais. Pode tb publicar no seu próprio blog (basta usar o logo aí em cima).
A germinação continua...

agosto 01, 2009

Fausto - 1926

Bom em primeiro lugar quero deixar claro que sou contra a pirataria de Cd´s e Dvd´s mas também sou contra os preços abusivos cobrados por certas lojas.

Existem filmes que são de domínio público portanto deviam custar mais barato. Acredito que uma cópia feita para uso próprio e não para a venda, não acarrete nenhum problema para a distribuidora. Isso também vale para os arquivos baixados da internet, sejam sinceros, não se acha certas obras em qualquer locadora.


É o caso de "Fausto" de F.W. Murnau. Com sua estréia em 1926 "Faust" consolidou a carreira do diretor Friedrich Wilhelm Murnau, que já havia concebido as obras primas do expressionismo alemão "Nosferatu" (1922) e "A Última Gargalhada" Der Letzte Mann (1924).

Ao contrário dos críticos a minha opinião é que Fausto é a grande "obra" de Murnau , com uma narrativa complexa a história do amargurado Dr. Fausto, retirada do romance de Goethe, é transposta com maestria para a tela, não se trata de uma transposição literal da obra, pois o romance de Goethe que por sua vez é inspirado numa lenda alemã, foi feito e duas partes, uma é a que a maioria conhece, (O mago cientista que faz um pacto com o demônio.) e a última e que fecha o ciclo com a redenção do personagem principal, foi publicada apenas após a morte do autor em 1832, mas mesmo que não fosse fiel ao livro "Fausto" é uma película indispensável para os amantes do cinema.

A história começa com uma aposta entre Mephistófeles (Emil Janings) e um anjo pela alma de Fausto. O Demônio propõe que a terra seja dada a ele caso consiga corromper a bondosa figura do Dr. Caso perca a aposta o demo tem que deixar a terra com o rabo entre as pernas.


Usando de vários artíficios malignos, Mephisto consegue que o Dr. assine o contrato renegando a Deus alcançando assim o seu propósito. A cena em que o contrato surge nas mãos do Demônio é espetacular, assim como a cena em que o demônio aparece pela primeira vez. (espetacular é claro para a época, mas mesmo assim tem um grande impacto.)


Fausto então segue a sua jornada ao lado de Mephistófeles, gozando dos prazeres da vida, Poder, Dinheiro e ostentação. O bom Dr. não resiste as tentações e se deixa levar pela lábia do Demônio.

É interessante como esta é a única adaptação famosa da da obra de Goethe, em 1994 o Tcheko Jan Svankmajer filmou sua versão do clássico (que não fez muito sucesso, analizaremos a mesma num futuro próximo) e houveram outros como a versão "Wolverine" de Brian Yuzna, (que também analisaremos em breve) mas na minha opinião creio que até hoje não tenha surgido um diretor com a sutileza de Murnau para fazer uma versão fiel, até porque a história não é exatamente o que pode se chamar de "politicamente correta" e hollywood com certeza tem suas limitações.

Alguns podem achar que a nossa coluna deu uma "elitizada" mas se pararmos para pensar "cinema trash" nada mais é do que produções de baixo orçamento, que divertem e apesar da tosqueira trazem histórias interessantes, a meu ver o Fausto de Murnau segue esses requisitos e ainda inova, mesmo com a falta de recursos da época.


Para aqueles que não conhecem a lenda de Fausto esta é provavelmente a sua adptação mais difundida.




A respeito do primeiro paragráfo. É claro que eu possuo uma cópia deste filme, mas não dou e não vendo, posso pensar em emprestar.

Por hoje é só.

julho 28, 2009

Conto Rebelião 88: O Heptáculo de Haniel




Rosemary Melgar ligou a lanterna apontando o facho de luz azulada para a fenda entre as placas de pedra cobertas pelo tapete de grama molhada. Jovilio, seu parceiro, estava imerso no lago até a altura do umbigo, alheio ao frio de outono. Era madrugada, e o orvalho cobria o tapete florido naquele recanto pouco visitado do Jardim Shukkeien da cidade reconstruída de Hiroshima. Angelina Kure, alta e de silhueta esquálida, observava a insólita com um palmtop freneticamente carregado com novos dados, vigiando o perímetro e confiante na proteção de seu talismã africano de conchas marinhas. Embora não duvidasse dos poderes mágicos do talismã, Rosemary sabia que o principal feito de Angelina Kure fora subornar os guardas-noturnos, “convencendo-os” a fazer a ronda numa praça bem distante dali, e utilizar seus contatos dentro da administração municipal para conseguir a interdição da ponte estreita que era a única forma de se alcançar aquela minúscula clareira quase oculta pelo pomar de cerejeiras.



O HEPTÁCULO DE HANIEL foi escrito por Simões Lopes

julho 25, 2009

20 Milhões de milhas da terra.

Enfim meus amigos, depois de um jejum de 1 ano, sim meus caros, "um ano" sem atualizações da nossa coluna "Cinema Obscuro" eis-me aqui com a maior cara de pau de todas para dar continuidade a mesma.



Nesse período muitas coisas ruins aconteceram, espero que não tenham sido por causa deste humilde resenhista, faço aqui como sempre o mea culpa pois nesse periodo que fiquei "de folga" fui até mesmo ameaçado de morte por alguns dos meus queridos leitores, que não suportavam mais ficar sem a sua dose semanal de cinematografia trash. Dizem por aí a boca pequena que até mesmo que astros do cinema e da música mundial cometeram suícídio imaginando que a nossa coluna tinha ido para o além.

Mas vamos deixar o papo furado de lado e continuar com as nossas análise aprofundada sobre o chamado périodo "Preto e Branco" do mestre Ray Harryhausen, chegamos aqui a sua derradeira obra "20 Milhões de milhas da terra" (20 million miles to Earth, 1957) onde temos um mostro vindo de Vênus (Sim! Vejam que original!) tocando o terror na cidade de Roma (Sim! Vejam que original.) é claro que aqui a grande diversão mais uma vez e apreciar a técnica de Ray em sua plena forma.


No filme uma nave cai na costa da Sicília na Itália e um grupo de pescadores resolve prestar socorro, descobrimos então que dois astronautas humanos sobreviveram, sendo assim resgatados pelos pescadores, chegando em terra firme constatamos que a nave vinha de uma expedição a Venus e um dos sobreviventes morre devido a uma estranha doença de pele.


Em meio aos destroços, um garoto, filho de um dos pescadores e fascinado pelos cowboys americanos acha um recipiente de vidro com um tipo de casulo gosmento dentro e resolve leva-lo para o Doutor Leonardo (Frank Puglia) um zoologista, esperando assim conseguir alguns trocados.


Durante a noite o casulo se abre e dele surge o pequeno Ymir, uma criatura meio homem meio lagarto que lembra um pouco o "Monstro da Lagoa Negra" ele é visto primeiro pela neta do Dr Leonardo, Marisa (Joan Taylor, que já havia participado de outro filme de Ray "A Invasão dos discos voadores") imediatamente o Dr resolve colocar a criatura dentro de uma jaula fora de seu trailler. No dia seguinte a criatura dobrou o seu tamanho, estupefato pela descoberta, o Dr sai em busca do garoto que trouxe o casulo para saber mais sobre o monstro.


É claro que daqui para a frente vocês já imaginam mais ou menos o que acontece, o monstro o alcança um tamanho descomunal e foge, os militares tentam captura-lo para estudos sem sucesso e no final temos uma luta mortal do Ymir com um elefante enfurecido em frente ao coliseo; Como podemos ver, o roteiro segue a cartilha dos filmes B da década de 50 mas como eu disse antes a diversão aqui são os efeitos criados pelo mago Ray Harryhausen.


Uma curiosidade é que o nome do monstro não é citado na película, vemos uma citação do próprio Ray nos extras do segundo dvd onde ele cita a novelização do filme feita pelo escritor Henry Slesar para o primeiro número da revista "Amazing Stories Science Fiction Novels", no mesmo ano de 1957, com o título de "The Giant Ymir".


Vale citar que foi neste filme que Harryhausen estreou seu novo processo de movimentação entre miniaturas e pessoas reais. Era o chamado "Sistema Dynamation", que permitia colocar pessoas atrás e à frente da criatura sem causar aquela impressão artificial de filmagem sobreposta sob tela grande. A técnica foi muito mais aprimorada nos filmes seguintes, que seriam todos coloridos e, por isso mesmo, exigiam uma renovada sofisticação para que ficassem mais "acreditáveis"


Este é o último Dvd da coleção que foi remasterizada e colorida recentemente, a técnica como eu já havia comentado aqui não é das piores, mas para os cinéfilos mais "conservadores" é claro que é muito mais divertido assistir em preto e branco para se ter a mesma sensação daquela época.

Mais uma vez deixo os créditos de alguma informações adicionais que coletei no site Boca do Inferno o qual sou um frequentador assíduo.

VINTE MILHÕES DE MILHAS DA TERRA (20 million miles to Earth, Estados Unidos, 1957).
Duração: 82 minutos
Direção: Nathan (Hertz) Juran
Roteiro: Christopher Knopf, Bob Williams, baseado numa história de Charlotte Knight
Produção: Charles H. Schneer
Fotografia: Irving Lippman; Carlo Ventimiglia
Música: Mischa Bakaleinikoff
Edição: Edwin H. Bryant
Efeitos Visuais: Ray Harryhausen
Direção de Arte: Cary Odell
Elenco: : William Hopper (Robert Calder); Joan Taylor (Marisa Leonardo); Frank Puglia (Dr. Leonardo); John Zaremba (Dr. Judson Uhl); Thomas Browne Henry (Maj. Gen. A.D. McIntosh); Tito Vuolo (Charra); Jan Arvan; Arthur Space; Bart Braverman; Sid Cassel; John Duke; Ray Harryhausen (visitante do Zoo - não-creditado)

junho 26, 2009

Conto Rebelião 87: A Paixão do Deus Alce


Ao ar livre, a temperatura devia chegar a uns vinte graus negativos, mas dentro do vestíbulo estreito, cujo chão era atapetado por peles felpudas, a temperatura era tão elevada, que as pessoas suavam em profusão. Um grupo de mulheres jovens, vestindo apenas um avental tosco de lã amarelada, fazia uma triagem na fila de visitantes.

Todos ali eram mulheres, e aquelas que ali chegavam traziam nos olhos embaçados sinais de um entorpecimento extremo. Elas gritavam, choravam e gargalhavam, e algumas delas jogavam suas roupas no chão, sem o menor pudor. Uma mulher pequena, de pele bronzeada e olhos miúdos esverdeados, com ar de intelectual, trajando um tailleur de griffe e óculos de aro fino, interpelava uma das zeladoras do recinto. Gritando agressivamente em francês (com um leve sotaque valão), ela tentava atravessar a barreira formada por quatro jovens altas de cabelos cor de palha, que impediam a passagem do mulherio irrequieto.



A PAIXÃO DO DEUS ALCE foi escrito por Simões Lopes

junho 25, 2009

Conto Rebelião 86: O Despertar do Rei


Eu podia sentir meu corpo sendo coberto pela terra fria e úmida. Meus sentidos, ao mesmo tempo, embotados e expandidos, traziam-me apenas o cheiro acre das ervas aromáticas e do incenso abrasador. Curvas de luz colorida serpenteavam num céu amarelo com raios púrpura e nuvens azul-marinho. Em um piscar de olhos, o céu transmuta-se num vermelho-sangue intenso, e sinto o gosto doce do mel fermentado em minha língua. Um cântico suave ecoa nas profundezas de meu cérebro — estarei sonhando?


O DESPERTAR DO REI foi escrito por Simões Lopes
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